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Sexta-feira, 23 de Outubro 2026
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Saúde

Desinformação reduz a vacinação infantil contra covid-19 a apenas 5% no Brasil

Ataques aos imunizantes e fake news comprometem a proteção de crianças pequenas, alerta o Ministério da Saúde sobre os baixos índices.

Desinformação reduz a vacinação infantil contra covid-19 a apenas 5% no Brasil
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Apesar do alto risco de complicações graves e internações por coronavírus, a vacinação infantil contra covid-19 no Brasil atingiu apenas 5% das crianças pequenas com o esquema completo de três doses. O dado alarmante foi divulgado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, que aponta a proliferação de discursos de desinformação como o principal obstáculo para a proteção desse público vulnerável no país.

O diretor do PNI, Eder Gatti, garantiu que o governo federal mantém estoques abastecidos e contratos regulares para o fornecimento do imunizante. No entanto, ele atribui os baixos índices aos constantes ataques às vacinas promovidos durante a pandemia por agentes públicos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A vacina integra o calendário básico infantil desde 2024 para bebês de 6, 7 e 9 meses, com aplicação permitida até os 5 anos. Mesmo assim, muitos pais recusam a imunização dos filhos por acreditarem em informações falsas disseminadas na internet e em redes sociais.

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Essa hesitação tem gerado consequências severas. Somente este ano, mais de 1,1 mil crianças com menos de 14 anos foram hospitalizadas com quadros respiratórios graves causados pela covid-19. Além disso, das 25 mortes infantis registradas no período, 15 ocorreram em bebês com menos de 2 anos de idade.

Em entrevista à Agência Brasil, Gatti destacou que a desinformação é um desafio global. Ele enfatizou que qualquer perda de doses por vencimento decorre do discurso antivacina e cobrou responsabilidade daqueles que incentivam a recusa populacional.

Além da resistência cultural, o imunizante infantil possui um desafio logístico: os frascos congelados têm validade de apenas dez semanas após o descongelamento. Se as doses não forem aplicadas nesse intervalo, precisam ser descartadas pelas equipes de saúde locais.

Vacina é monitorada e segura

A vacinação infantil começou em janeiro de 2022 após aprovação da Anvisa, mas enfrentou forte oposição do governo da época, que chegou a propor a exigência de prescrição médica para a aplicação nas crianças.

Entre 2020 e 2022, o vírus causou mais de 23 mil casos graves e 1.067 mortes em menores de 11 anos no Brasil. Em contrapartida, estudos da Universidade de São Paulo (USP) comprovaram que a vacina reduziu as internações graves em 97% nesse público.

A infecção pelo coronavírus também pode desencadear a Síndrome Inflamatória Multissistêmica em crianças, condição que provocou 2.115 casos e 142 óbitos entre 2020 e 2023 no território nacional.

Uma pesquisa do IBGE revelou que 15% dos jovens de 5 a 17 anos não foram vacinados na pandemia. Quase 40% dos responsáveis citaram medo de reações adversas, enquanto outros alegavam falta de confiança ou necessidade.

O PNI ressalta que essas preocupações são infundadas. Todos os imunizantes passaram por rigorosos testes de segurança e eficácia, sendo continuamente monitorados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) após a distribuição em massa.

Das mais de 6 milhões de doses aplicadas em crianças no país, 92% das reações notificadas foram leves e comuns, como dor local e febre, sem nenhum registro de óbito decorrente da vacinação.

Segundo o Ministério da Saúde, complicações graves como miocardite são significativamente mais frequentes em pessoas infectadas pelo próprio vírus do que naquelas imunizadas pela vacina contra a covid-19.

Com a ampliação do conhecimento científico, o governo brasileiro concentrou a estratégia atual na proteção de crianças e grupos vulneráveis, como idosos e pessoas imunocomprometidas, garantindo doses de reforço periódicas.

Balanço e desafios do PNI

Durante a 28ª Jornada Nacional da Sociedade Brasileira de Imunizações, no Rio de Janeiro, Eder Gatti destacou que o orçamento do PNI cresceu de R$ 5 bilhões para quase R$ 10 bilhões previstos para o próximo ano.

Apesar das dificuldades com a covid-19, outras vacinas do calendário infantil apresentaram recuperação de cobertura. A regularização dos estoques e ações de microplanejamento nos municípios impulsionaram os resultados positivos recentes.

Enquanto em 2022 apenas uma vacina infantil atingiu a meta de 90%, no ano passado sete imunizantes superaram esse patamar. Contudo, desafios persistem em vacinas cruciais, como a segunda dose da tríplice viral contra o sarampo.

Gatti lembrou ainda o sucesso de novas incorporações, como a vacina contra a dengue e a imunização para gestantes contra o vírus sincicial respiratório, que reduziu em mais de 50% os casos de bronquiolite em bebês.

Recentemente, o PNI anunciou a transição da vacina pneumocócica VPC10 para a VPC20, aumentando a proteção contra bactérias causadoras de pneumonia e meningite, reafirmando o compromisso histórico do programa de proteger a população.

Fonte/Créditos: Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil

Créditos (Imagem de capa): © Tomaz Silva/Agência Brasil

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