Um homem apontado como uma das principais lideranças do PCC no Litoral do Paraná foi condenado a 16 anos, 9 meses e 18 dias de prisão em Paranaguá. A decisão da 2ª Vara Criminal, publicada na quarta-feira (7), marca a primeira condenação na cidade vinculada à Operação Panóptico, coordenada pelo Ministério Público.
Segundo o Ministério Público do Paraná (MPPR), o réu acumulava funções estratégicas como “Geral do Estado” e “Geral do Litoral”. Suas atribuições incluíam orientar membros, fiscalizar as atividades da organização e assegurar o cumprimento das normas internas do grupo criminoso.
As investigações avançaram de forma significativa após a apreensão de um aparelho celular na residência do condenado. O material forneceu provas cruciais sobre a estrutura e o modus operandi da facção na região litorânea, conforme apurado pelo portal JB Litoral.
Celular reunia estatuto e diretrizes da facção
No dispositivo eletrônico, os peritos localizaram o estatuto oficial da organização, cartilhas de disciplina e históricos de conversas em aplicativos de mensagens. Esses canais eram empregados para transmitir ordens diretas e alinhar decisões entre os associados.
Os registros digitais continham ainda dados sobre finanças, cadastros atualizados e controle de membros. Havia listas detalhadas com nomes, apelidos, antecedentes criminais e as respectivas funções exercidas por cada indivíduo dentro da estrutura.
Ilha dos Valadares funcionava como base
O inquérito policial apontou que a Ilha dos Valadares, em Paranaguá, servia como ponto logístico essencial. O local facilitava a articulação entre chefias, o apoio a detentos e a troca de informações estratégicas entre criminosos livres e encarcerados.
A condenação é fruto direto da Operação Panóptico, deflagrada em 15 de junho de 2026. A ofensiva mobilizou forças de segurança em diversos estados, incluindo São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Balanço da operação no estado
Durante a mobilização, foram cumpridas 559 ordens judiciais, divididas em 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão, visando desarticular a rede de atuação da facção criminosa no território paranaense.
No total, o Ministério Público formalizou denúncia contra 333 pessoas no Paraná. Somente em Paranaguá, 23 investigados respondem a processos judiciais, enquanto os demais casos continuam em tramitação na Justiça.
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