Cerca de 86% das notas fiscais emitidas por empresas obrigadas pela reforma tributária a destacar a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) cumpriram essa determinação nos últimos 30 dias, informou nesta sexta-feira (9) a Receita Federal.
Conforme o levantamento divulgado, foram gerados no período 3,7 bilhões de documentos com a informação do tributo, enquanto 600 milhões ainda não traziam essa especificação obrigatória.
Isso demonstra que quase nove em cada dez estabelecimentos desse grupo já adaptaram seus sistemas para preencher a nova contribuição, criada para substituir impostos anteriores.
As informações constam no painel de Registro de Operações de Consumo (ROC) da Receita Federal. A atualização mais recente considera os documentos emitidos até as 23h59 de 7 de outubro de 2026.
O painel público auxilia no monitoramento da evolução dos destaques da CBS, permitindo observar o avanço dos contribuintes na adequação ao novo modelo fiscal.
Dois terços já se adaptaram
O relatório também evidencia o progresso na conformidade entre as companhias obrigadas. No intervalo analisado, 1.275.356 empresas emitiram documentos fiscais válidos.
Desse total de companhias:
- 489.326 estabelecimentos destacaram a CBS em todas as notas emitidas;
- 365.826 estabelecimentos informaram o tributo em parte das notas;
- 855.152 estabelecimentos, ou cerca de 67% do total, já destacaram a CBS em todas ou em parte dos documentos.
O indicador engloba tanto quem já incorporou a exigência em todas as emissões quanto quem passa por uma fase de transição e adaptação.
As empresas optantes pelo regime do Simples Nacional não possuem obrigatoriedade de destacar a CBS ao longo de 2026 e ficaram de fora do cálculo.
Transporte e varejo lideram
O grau de conformidade sofre variações conforme o tipo de documento fiscal utilizado. Os dados apontam que os setores de transporte, comunicação e varejo apresentam índices distintos de adesão.
Veja os resultados por modelo de documento:
- Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e): 87% dos emissores já destacam a CBS. São 8.124 estabelecimentos que informam o tributo em todas as notas e 17.139 que o fazem parcialmente.
- Nota Fiscal Fatura de Serviços de Comunicação (NFCom): 82% dos emissores já destacam a CBS, sendo 1.581 em todas e 1.466 em parte dos documentos.
- Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e): usada no varejo, como supermercados e farmácias, registra 81% de adesão com 73.841 emissores totais e 94.827 parciais.
- Nota Fiscal Eletrônica (NF-e): voltada para indústrias e atacadistas, possui 78% de adesão, aparecendo em todas as notas de 247.783 companhias.
Estes percentuais englobam os locais que já inserem a CBS em todas ou em parte das emissões realizadas.
Como funciona a transição
A CBS integra o novo sistema de tributação sobre o consumo instituído pela reforma tributária. Ela atua em conjunto com o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) na substituição gradual de tributos antigos.
O cronograma oficial estipula diferentes fases para a consolidação das normas:
- 2026: etapa voltada para adaptação e testes das diretrizes aplicáveis;
- 2027: marco inicial da cobrança integral da CBS e início dos testes do IBS;
- 2029 a 2032: diminuição gradual do ICMS e do ISS;
- 2033: vigência completa e definitiva do IBS.
Os prazos seguem determinações constitucionais e não podem sofrer alterações por decisões administrativas da Receita Federal ou do CGIBS.
O que as empresas devem fazer
As exigências ligadas à CBS e ao IBS constam nos regulamentos oficiais e em atos conjuntos publicados pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS.
As autoridades recomendam que os contribuintes planejem as mudanças operacionais necessárias e preparem seus softwares de gestão para cumprir as normativas vigentes.
Os principais pontos de atenção englobam:
- Sistemas fiscais: checar se os programas emissores estão aptos a registrar os novos tributos;
- Processos internos: adaptar as rotinas de faturamento e emissão documental;
- Monitoramento de regras: acompanhar atualizações e prazos nos canais oficiais do governo.
Fonte/Créditos: Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil
Créditos (Imagem de capa): © Fernando Frazão/Agência Brasil

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