O diagnóstico de câncer de mama em homens costuma ocorrer em estágios mais graves e avançados no Brasil, segundo alerta divulgado pela Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) durante a campanha do Outubro Rosa. A constatação baseia-se em dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que contabilizou mais de 2,1 mil ocorrências masculinas entre 2020 e 2023.
Embora representem apenas 1,3% do total de registros da enfermidade no país, a gravidade preocupa os especialistas. O presidente da SBRT, Wilson José de Almeida Jr., ressalta a urgência de conscientizar a população de que os tumores mamários também afetam indivíduos do sexo masculino e podem se tornar letais caso não sejam tratados precocemente.
Risco elevado de metástase
Segundo o levantamento, quase 30% dos pacientes masculinos chegam ao atendimento já no estágio IV, caracterizado pela metástase. Entre as mulheres, essa proporção é menor, ficando em 26,42%. Ao somar os estágios III e IV, a concentração de casos avançados atinge 62,29% dos diagnósticos masculinos.
De acordo com a médica Denise Ferreira, diretora da SBRT, a demora na avaliação clínica decorre do desconhecimento geral sobre o problema. Como o tórax masculino possui pouco tecido mamário, a lesão invade rapidamente estruturas vizinhas, como pele e músculos. Sintomas como nódulos, secreção sanguinolenta e retração no mamilo exigem consulta imediata.
Opções de tratamento e sobrevida
O protocolo terapêutico padrão envolve cirurgia associada a quimioterapia, hormonioterapia e radioterapia, a depender do perfil celular da neoplasia. Técnicas modernas de radiação auxiliam no controle local após a intervenção cirúrgica, protegendo os tecidos sadios ao redor.
A especialista destaca que a sobrevida relativa em cinco anos supera 80% no panorama geral masculino, ultrapassando 95% quando a detecção ocorre com a lesão restrita à mama. O reconhecimento ágil das manifestações clínicas é o fator determinante para o sucesso terapêutico.
Diagnóstico em mulheres jovens
A identificação tardia também atinge mulheres jovens no país. Dados complementares da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) revelam que 85,6% das pacientes com até 39 anos foram diagnosticadas nos estágios II, III ou IV.
Especialistas reforçam que qualquer alteração mamária persistente deve ser investigada por um médico, inclusive antes da faixa etária indicada para as mamografias de rastreamento rotineiro.
Fonte/Créditos: Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil
Créditos (Imagem de capa): © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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