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Quinta-feira, 08 de Outubro 2026
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Política

Violência política de gênero cresce e afeta a maioria das candidatas

Estudo revela que mulheres foram alvo de mais da metade dos ataques registrados durante a campanha eleitoral do primeiro turno no país.

Violência política de gênero cresce e afeta a maioria das candidatas
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A violência política de gênero atingiu patamares alarmantes no Brasil durante o primeiro turno das eleições de 2026. Um levantamento das ONGs Terra de Direitos e Justiça Global revelou que, dos 134 casos de agressões registrados no período de campanha, 70 tiveram mulheres como alvo principal, evidenciando a hostilidade enfrentada por candidatas no país.

O relatório aponta que as mulheres sofreram 58,8% dos ataques direcionados exclusivamente a candidaturas, embora representem apenas um terço do total de concorrentes. Casos emblemáticos, como as ameaças de morte e violência sexual contra a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), ilustram a gravidade do cenário atual.

Segundo Gisele Barbieri, coordenadora da Terra de Direitos, a falta de regulação no ambiente digital facilita agressões sistemáticas na internet. No entanto, a maioria dos episódios (71 casos) ocorreu presencialmente nas ruas, demandando uma resposta rápida do Estado.

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Subnotificação e impunidade

Especialistas alertam que o número real de agressões pode ser ainda maior devido à subnotificação motivada pelo medo. Até o encerramento do levantamento, nenhuma das 134 ocorrências mapeadas resultou em punição efetiva para os agressores, limitando-se a medidas protetivas urgentes.

Em comparação com o primeiro turno de 2022, que registrou 121 ocorrências, houve um aumento significativo. Durante o período eleitoral, a frequência dos ataques foi cinco vezes maior do que nos momentos sem disputa nas urnas.

Recorte de raça e misoginia

A pesquisa detalha que a misoginia motivou 45 dos 70 ataques contra mulheres, enquanto o racismo esteve presente em nove casos e a transfobia em cinco. Além disso, pessoas negras representaram 44,8% do total de vítimas da violência política.

Glaucia Marinho, coordenadora da Justiça Global, destaca que mulheres, negros e pessoas trans enfrentam violências estruturais que vão além da disputa de ideias, exigindo uma força-tarefa estatal para proteger a integridade do processo democrático.

Fonte/Créditos: Luiz Cláudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil

Créditos (Imagem de capa): © Lula Marques/Agência Brasil.

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