Com o Brasil prestes a ir às urnas, o enfrentamento ao racismo e o combate à intolerância religiosa ganham destaque no cenário político nacional. Para analisar esse panorama, o Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) lançou um minidossiê que compara as ações e propostas dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O levantamento revela posturas opostas entre os concorrentes. Enquanto Lula reconhece a discriminação racial como geradora de desigualdades e propõe ações afirmativas, como a demarcação de terras e regularização quilombola, Flávio nega o problema em suas declarações e diretrizes de governo.
De acordo com a publicação do Idafro, que mapeou documentos oficiais e dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o plano de Flávio omite termos fundamentais. Palavras como 'cota', 'racismo', 'terreiro', 'matriz africana' ou 'discriminação' não constam no programa do candidato.
O minidossiê, intitulado 'Igualdade Racial e Racismo Religioso nas Ações e Posições de Lula e Flávio', aborda também a área de segurança pública. A entidade alerta para o risco de criminalização da população negra decorrente do sistema de reconhecimento facial proposto por Flávio.
Segundo pesquisas citadas pelo instituto, sistemas de identificação facial apresentam maiores taxas de erro em pessoas pretas e pardas, o que favorece prisões injustas. Por outro lado, o programa de Lula prioriza a proteção da juventude negra e estratégias para redução de homicídios.
Em relação às religiões de matriz africana, o Idafro destaca o compromisso de Lula ao criar, em 2024, o grupo responsável pela política nacional para povos de terreiro. A iniciativa visou garantir a inviolabilidade dos templos e preservar o patrimônio imaterial.
Por outro lado, o documento relembra episódios de desinformação durante a campanha. Conteúdos falsos gerados por inteligência artificial associaram Lula e a primeira-dama Janja a rituais estigmatizantes para influenciar o eleitorado.
O dossiê cita ainda o candidato a vice na chapa de Flávio, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), por utilizar vídeos de Lula em um terreiro para questionar sua fé. Segundo o Idafro, o uso pejorativo dessas imagens prejudica diretamente os povos de terreiro.
Apesar de o mapeamento focar nos planos registrados e em declarações públicas, a equipe da campanha do senador Flávio Bolsonaro foi procurada pelo instituto e o espaço permanece aberto para eventuais manifestações.
Ataques às garantias constitucionais
A Constituição assegura o Estado laico em um país com 57% de católicos, 27% de evangélicos, 9% sem religião e 1% de adeptos da umbanda e candomblé. Contudo, os dados do Disque Direitos Humanos (Disque 100) mostram um cenário preocupante no Brasil.
Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o canal registrou 2.774 denúncias relativas à violação da liberdade de crença. O serviço é mantido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, oferecendo atendimento gratuito e 24 horas por dia.
Fonte/Créditos: Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil
Créditos (Imagem de capa): © Tomaz Silva/Agência Brasil

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