Representantes dos principais clubes de futebol do Brasil contestaram no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira (3), a proibição das bets. Os dirigentes argumentaram que o veto repentino aos patrocínios compromete receitas milionárias já orçadas sob a legislação anterior, além de impor um prazo inviável de dez dias para adequação.
Flamengo e Fluminense
O vice-presidente do Flamengo, Flávio Willeman, ressaltou que o encerramento dos contratos com casas de apostas pode retirar cerca de R$ 430 milhões anuais dos cofres rubro-negros. Ele enfatizou que o planejamento financeiro do clube seguiu estritamente as diretrizes legais vigentes no momento da assinatura.
Já o presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, explicou que a medida atinge patrocínios diretos e direitos de transmissão. Ele criticou a exigência de transição em apenas dez dias, lembrando que nenhum mercado global aplicou restrições tão drásticas em tempo tão reduzido.
Botafogo e Cruzeiro
O advogado Bichara Abidão Neto, representante do Botafogo, pontuou que o impacto é crítico para a SAF do clube. O plano de recuperação judicial da equipe depende diretamente do fluxo de caixa vindo do patrocínio master com empresa do setor.
Pelo Cruzeiro, o advogado José Francisco Manssur alertou para a perda de competitividade. Segundo ele, os times brasileiros sofrerão desvantagem financeira em relação a rivais sul-americanos, como os argentinos, que manterão esses patrocinadores em seus uniformes.
São Paulo e Corinthians
Defendendo o São Paulo, a advogada Danielle Maiolini solicitou a criação de regras de transição e alertou para a insegurança jurídica. Ela mencionou que o encerramento abrupto enfraquece o combate à manipulação de resultados, ao afastar plataformas reguladas.
O representante do Corinthians, Pedro Luís Soares, admitiu a gravidade do vício em apostas como problema social, mas defendeu um período de adaptação progressivo. Para ele, o bloqueio imediato ameaça o cumprimento de compromissos orçamentários do clube.
Contexto da medida
A vedação às apostas esportivas e jogos online foi determinada pelo governo federal no final de setembro. A iniciativa visa combater o endividamento familiar e problemas de saúde pública associados ao vício. O Brasil registrava cerca de 50 milhões de usuários antes da restrição, motivo pelo qual a Associação Nacional de Jogos e Loterias recorreu ao STF.
Fonte/Créditos: Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil
Créditos (Imagem de capa): © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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