A estagnação ou cortes em benefícios sociais e previdenciários poderão causar uma retração severa à economia de municípios do interior do Brasil. É o que aponta um levantamento recente divulgado pelo Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo (Made-USP).
Segundo a pesquisa, aposentadorias, Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC) possuem um peso fundamental para essas localidades. Nesses territórios, os repasses chegam a representar quase metade do orçamento das famílias em situação de vulnerabilidade.
Como o valor recebido é direcionado quase integralmente para a compra de itens essenciais, o dinheiro movimenta o comércio local de forma imediata. Isso gera empregos e mantém a arrecadação das prefeituras ativa, conforme destaca a co-diretora do Made-USP, Luiza Nassif.
Impactos projetados para os próximos anos
O estudo simulou os efeitos econômicos da variação nesses repasses para os próximos três anos. Os pesquisadores compararam o cenário de valorização recente com um contexto de congelamento ou ausência de ganhos reais.
Sem reajustes adequados, a renda agregada no interior brasileiro sofreria uma retração estimada entre 6,8% e 10,8%. Os estados do Nordeste e o Amapá figuram entre os mais vulneráveis a esse cenário de perdas.
Efeitos diretos sobre a pobreza
Além da atividade econômica, os auxílios cumprem um papel central no combate à miséria. Para famílias com rendimento de até um salário mínimo e meio, essas transferências compõem metade da renda.
Simulações indicam que a ausência de valorização real poderia empurrar milhões de pessoas para a extrema pobreza em regiões fora dos grandes centros urbanos, evidenciando a fragilidade financeira dessas localidades.
Fonte/Créditos: Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil
Créditos (Imagem de capa): © Joédson Alves/Agência Brasil

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