Nesta terça-feira, 29 de julho de 2025, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi presa em Roma, após estar foragida desde o fim de maio, conforme confirmou o Ministério da Justiça do Brasil e autoridades italianas. A prisão ocorreu com base na mandado de prisão preventiva emitido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, após condenação de dez anos de reclusão por crimes envolvendo invasão de sistemas do CNJ, falsidade ideológica e contratação de hacker.
A parlamentar era procurada internacionalmente e incluída na lista vermelha da Interpol desde junho, Zambelli viajou para os Estados Unidos e depois foi para a Itália, onde possuía cidadania, alegando imunidade jurídica e chamando sua situação de “exílio político”. A defesa afirma que ela se apresentou voluntariamente às autoridades italianas para “colaborar administrativamente”
Segundo reportagens, Zambelli foi encontrada em um apartamento no sexto andar de um prédio nos arredores do Vaticano, onde vivia desde o início de junho. A denúncia do paradeiro teria partido do deputado italiano Angelo Bonelli (Europa Verde), que forneceu o endereço às autoridades italianas. A prisão foi executada pela polícia italiana, com apoio da PF e da Interpol
⚖️ Processos envolvendo Carla Zambelli
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Condenação criminal: contratou o hacker Walter Delgatti Neto para invadir o CNJ e emitir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. A sentença foi de dez anos, sem possibilidade de recursos.
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Porte ilegal de arma: em 2022, apontou uma arma contra um cidadão nas ruas dos Jardins, em São Paulo, configurando crime eleitoral.
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Mandato cassado pelo TRE‑SP em janeiro de 2025 por abuso de poder político e disseminação de desinformação, ainda sujeito à votação final na Câmara
A extradição da deputada ao Brasil parece provável, face à cooperação entre os dois países, embora o processo possa levar meses ou até anos para se concluir. Enquanto isso, o caso mobiliza o meio político brasileiro e italiano:
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Deputados bolsonaristas no Brasil protestam contra o que chamam de “perseguição política”
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Em Roma, o deputado italiano Bonelli defende que a cidadania italiana não garante imunidade à lei e justificou sua denúncia à polícia
📰 Linha do Tempo 📌
Data Evento Maio/2025 Zambelli é condenada pelo STF e perde o mandato (TRE-SP). Final de maio Deixa o Brasil e viaja para EUA e Itália. 3 de junho Anuncia “exílio” italiano. 5 de junho Mandado de prisão preventiva do STF; Interpol emite alerta vermelho. 29 de julho É presa em Roma e levada para delegacia; processo de extradição é iniciado.
O episódio marca um ponto crítico na trajetória política da deputada de forte apelo entre círculos conservadores radicais no Brasil. A prisão em solo italiano reflete a cooperação judicial internacional em casos de crimes transnacionais de grande repercussão. Além disso, acirra tensões políticas entre Brasil e partidos de direita aliados, e pode virar estudo de casos jurídicos em cooperação jurídica internacional, cidadania, e direitos políticos em contexto de impeachment e condenação penal.
Este caso segue em evolução, com desdobramentos esperados nos próximos dias sobre extradição, possíveis recursos jurídicos e implicações na esfera parlamentar.
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