As contas do Governo Central, que englobam o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, registraram um superávit primário de R$ 4,8 bilhões em setembro. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (29) pela Secretaria do Tesouro Nacional, marcando uma reversão frente ao déficit de R$ 14,4 bilhões observado em igual mês de 2025.
Houve uma expansão de 13,6% na receita líquida acima da inflação, o que representou um acréscimo de R$ 24,6 bilhões na comparação anual. Por sua vez, as despesas avançaram 2,4%, somando uma alta de R$ 4,7 bilhões.
O desempenho positivo foi impulsionado pelo crescimento das receitas com petróleo e Imposto de Renda. Além disso, houve entrada de recursos extraordinários decorrentes da devolução de precatórios cancelados pelo Poder Judiciário.
Alta do petróleo ajuda nas receitas
As receitas oriundas da exploração de recursos naturais tiveram salto real de 71,9%, somando R$ 5,7 bilhões adicionais. O movimento refletiu a cotação internacional do petróleo, o incremento na produção e a atuação da Pré-Sal Petróleo (PPSA).
As chamadas demais receitas não administradas subiram R$ 12,8 bilhões em termos reais, impulsionadas principalmente pela restituição de valores de precatórios. Já a arrecadação do Imposto de Renda avançou R$ 7,3 bilhões acima da inflação, com destaque para a arrecadação da pessoa jurídica. O imposto de exportação sobre óleo bruto também colaborou, injetando R$ 2,9 bilhões.
Despesas
No tocante aos gastos, os créditos extraordinários cresceram R$ 9,9 bilhões. Grande parte desses montantes foi direcionada para amenizar reflexos econômicos da guerra no Oriente Médio.
Desse total, R$ 7,6 bilhões serviram como subvenções econômicas voltadas à produção e importação de diesel e derivados. O conflito internacional exerceu duplo papel, elevando tanto a arrecadação petroleira quanto os desembolsos de mitigação.
As despesas previdenciárias subiram R$ 2,1 bilhões acima da inflação devido à ampliação no número de beneficiários do Regime Geral de Previdência Social e à valorização do salário mínimo. Em contrapartida, houve alívio com a retração de R$ 8,4 bilhões nos gastos discricionários.
Acumulado do ano
Mesmo com o saldo favorável em setembro, o balanço fiscal do ano segue negativo. Entre janeiro e setembro, o Governo Central acumula um déficit primário de R$ 90,2 bilhões, mostrando melhora frente aos R$ 100,3 bilhões negativos do mesmo intervalo de 2025.
Fonte/Créditos: Pedro Peduzzi - Repórter da Agência Brasil
Créditos (Imagem de capa): © Marcelo Camargo/Agência Brasil

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